FIDI promove curso internacional de neuroimagem fetal e analisa casos de microcefalia do nordeste

Treinamento contou com a presença de duas gestantes da Paraíba, cujos fetos foram diagnosticados com a anomalia; com o objetivo de investigar as possíveis causas do problema, os casos foram analisados com auxílio do Dr. Gustavo Malinger, da Universidade de Tel-Aviv e uma das maiores autoridades na área de medicina fetal da atualidade

Microcefalia tem por definição redução da circunferência craniana, ou seja, condição em que o crânio do feto ou da criança apresenta biometria menor que 2 desvios padrões do limite inferior da normalidade. Esta condição afeta cerca de 2,5% da população, e grande parte pode ter desenvolvimento normal. O diagnóstico é difícil, pois a maioria dos fetos apresenta medidas da circunferência craniana normal em boa parte da gestação, sendo que a alteração da medida usualmente é detectada na parte final da gestação (acima 28 semanas). A microcefalia pode estar associada a um encéfalo (cérebro, cerebelo e tronco cerebral) com desenvolvimento anormal, ou por com falha no desenvolvimento embrionário ou por destruição do tecido cerebral, que pode ser secundária a processos vasculares ou infecciosos por exemplo.
Embora a microcefalia seja pouco frequente, esta condição tem assumido proporções epidêmicas no Nordeste brasileiro nos últimos meses, segundo o Ministério da Saúde, foram notificados até 16 de novembro, 399 casos de neonatos microcefálicos em 7 estados do nordeste, estados estes, que estão entre os 14 onde há epidemia do vírus Zika . Ressaltando que uma parcela significativa destes casos já havia sido observada esta condição (microcefalia) pelo exame de Ultrassonografia durante as avaliações ecográficas no pré-natal.

Devido à dimensão alcançada no atual cenário da saúde, a Microcefalia foi um dos principais temas abordados no curso internacional Masterclass Neuroimagem Fetal, promovido pela a Fundação IDI – Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem, maior provedora de exames de diagnósticos por imagem do país para a área pública.

Realizado de 13 a 15 de novembro, na sede da Fundação, em São Paulo, o treinamento contou não só com a presença de alunos e professores de diversos centros de saúde do Brasil e do exterior, mas também com a presença de duas gestantes da Paraíba, cujos fetos apresentavam microcefalia, e as mães haviam tido febre e exantema durante a gestação.

“Distúrbios como esse podem ser extremante graves, quando esta condição esta associada ao desenvolvimento anormal cerebral fetal. Por isso, o diagnóstico preciso acerca de cada caso é fundamental, primeiro para que esta família seja orientada e amparada, e segundo para que nestes casos em questão (do nordeste Brasileiro) possamos analisar os padrões das alterações encefálicas destes fetos, cujas mães apresentaram os sintomas compatíveis com infeção pelo ZikaVírus”, afirma a médica especialista em Diagnóstico por Imagem da Fundação IDI, Dra. Patrícia S. de Oliveira, coordenadora e professora do curso.

Estudo da Gestação
O curso também contou com a participação do renomado Prof. Dr. Gustavo Malinger, radiologista do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Escola de Medicina da Universidade de Tel-Aviv, Diretor do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia do Lis Maternity Hospital – Tel Aviv Medial Center em Tel Aviv – Israel, e Prof. Dr. Renato Ximenes, Curador da Fundação de Medicina Fetal Latinoamericana – FMFLA e Diretor Científico da Centrus. Considerados como grandes autoridades na área de diagnóstico de fetal da atualidade foram convidados a contribuir com a análise dos casos das gestantes provenientes da Paraíba.

“Mesmo quando a caixa craniana do feto é menor do que a média, precisamos investigar se existe alguma alteração cerebral. Em muitos casos, fetos ou crianças com crânio pequeno, ou grande, apresentam um cérebro sadio e nascem saudáveis”, afirma o Dr. Malinger. “Por isso, não podemos nos basear apenas na verificação das medidas do crânio. É preciso investigar se o sistema nervoso central (cerebral, cerebelo e tronco = encéfalo) do feto ou criança está comprometido. Se estiver, precisamos ainda saber por quê”, afirma Dr. Malinger.

Zika Vírus
Sobre a relação dos casos de microcefalia com o Zika Vírus, o Dr. Malinger acrescenta: “Em toda a minha carreira, nunca presenciei casos de microcefalia provocados pelo contágio de vírus como Zika Vírus ou Dengue, por exemplo. Contudo, é importante investigar a possibilidade de o Zika Vírus ter sofrido algum tipo de mutação capaz de fazê-lo provocar esse tipo de problema”, acrescenta o especialista.

Diagnóstico Fetal
Ao passar por exames de Neurossonografia e Ressonância Magnética na Fundação IDI, as gestantes da Paraíba puderam contar com uma avaliação ainda minuciosa do encéfalo fetal. Ambos os fetos apresentaram alterações do desenvolvimento cerebral. “Utilizamos os mais avançados recursos de diagnóstico por imagem para buscar uma análise detalhada do acometimento encefálico dos fetos, porém o que observamos quanto ao estado do encéfalo destes fetos analisados é a consequência (anomalias graves acometendo todo o encéfalo). É Preciso de uma equipe multidisciplinar trabalhando junto, com diretrizes bem estabelecidas para buscar a causa” afirmam o Dr. Renato Ximenes e a Dra. Patricia S. Oliveira, que coordenaram os exames realizados com as gestantes.

Capacitação de Radiologistas
Realizado com o objetivo de promover uma atualização das técnicas de análise dos exames de Neuroimagem Fetal, ou seja, avaliação acurada do sistema nervoso central, o curso promovido pela Fundação IDI contou com 40 alunos, e já está contribuindo com o socorro oferecido pela rede pública de saúde aos casos de microcefalia reportados em Pernambuco e Paraíba. Isso porque, entre os participantes, estiveram duas médicas da Maternidade Instituto de Saúde Elpídio de Almeida, em Campina Grande (PB), as médicas Dra. Adriana Melo e Dra. Mayra Pereira dos Santos.

“Estas duas médicas são as responsáveis pelo acompanhamento das gestantes paraibanas que examinamos. Por ser uma patologia muita específica que tem provocado grande impacto na região Nordeste, elas se inscreveram com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre o diagnóstico das doenças que estão por trás da microcefalia, e que podem ser diagnosticadas na fase intrauterina”, considera o especialista em Medicina Fetal e curador da Fundação de Medicina Fetal da América Latina, Dr. Renato Ximenes, que também atuou como professor e coordenador do Curso MasterClass em Neuroimagem Fetal.