SEDI 3 comemora 3 anos com mais de 1 milhão de laudos na rede pública estadual de SP

Na hora em que a dona de casa Angela Rosa Souza, 69 anos, entrou na sala para uma tomografia no Hospital Pérola Byington, o relógio marcava 11h13. Vinte minutos depois, a aposentada já estava de volta à sala de espera: era hora de esperar pelo resultado e de contar sua história à Revista da Fidi. Menos de duas horas depois, a dona de casa se dirigia à recepção pra voltar pra casa: com o resultado e o laudo do exame em mãos.

Foi mais rápido do que fazer a massa e fritar os bolinhos de chuva (especialidade de dona Angela, segundo relato da filha que estava ao seu lado), comentou a paciente, com sorriso, após saber que o câncer se foi e não havia metástase. Há dois anos ela luta contra um tumor na mama. Veio para São Paulo especialmente por causa da doença, habitante de Jacobina, na Bahia, lá não tinha como se tratar.

Essa agilidade, nem sempre comum nos centros de saúde e diagnóstico privados do país, é realidade nos 13 hospitais da rede pública estadual de São Paulo atendidos pelo SEDI (Serviço Estadual de Diagnóstico por Imagem), programa inaugurado em março de 2010. Trata-se de um projeto pioneiro na área da saúde pública no Brasil. Enquanto os pacientes são submetidos a exames, uma equipe de radiologistas com especialização em áreas distintas (neurologia, cabeça e pescoço, entre outras), 70 no total, se revezam para analisar e emitir laudos complexos em tempo hábil, para que os pacientes recebam os resultados em até 4 horas.

Do ponto de vista de saúde, afirma o Dr. José Roberto Fonseca, gerente médico da Fundação IDI, o diagnóstico precoce é crucial na intervenção terapêutica adequada. “Sem ele, o médico não pode interferir positivamente na história natural da doença. Anteriormente, mesmo os maiores serviços solicitavam de três a sete dias para liberação do laudo. Hoje, todos se vêem obrigados a rever esses prazos”, informa.

Segundo Vanessa Guilherme Carvalho, gerente das Centrais de Laudo da Fundação IDI, em casos de urgência, os laudos do SEDI são concluídos em até uma hora. “Essa brevidade não só é preciosa para o tratamento da doença, sabemos que muitos pacientes não têm tempo ou situação financeira para ficarem indo e vindo do hospital. Assim, na maioria dos casos, eles saem com o laudo em mãos no próprio dia do exame”, esclarece.

Por mês são realizados em média 35 mil laudos de exames de diagnóstico por imagem. Cerca de 61,88% são raios-x, 26,79% tomografias, 8,63% mamografias e 2,68% ressonância magnética.

Profissionais de excelência

A central do SEDI, que funciona 24 horas num andar de um prédio comercial no bairro do Paraíso, lembra uma estação de inteligência da Nasa: equipamentos e tecnologia de última geração estão distribuídos em 23 estações de trabalho. Entre os funcionários, há profissionais na área de TI, que dão suporte e garantem o funcionamento online da estrutura, biomédicos, para auxiliarem os profissionais de saúde, e pessoal de administração. O sistema do SEDI ainda inclui treinamento técnico contínuo nas instituições da rede que seguem rígidos protocolos e uma hot line com os hospitais para esclarecimento de dúvidas.

Para chegar a análises tão complexas e precisas, destaca o Dr. José Roberto, a maioria dos médicos do SEDI possui vínculos com universidades, carreira acadêmica e especialização nas diversas sub-áreas da Radiologia (com título expedido pelo Colégio Brasileiro de Radiologia). “Entendemos que a qualidade do laudo está diretamente relacionada a essas qualificações. A experiência profissional é também  valorizada na seleção dos médicos, ao mesmo tempo em que se dá oportunidade, dentre os mais novos, com condição de crescimento profissional.”

Tecnologia em prol da saúde

Além da preocupação com a qualidade dos profissionais, a estrutura do SEDI inclui ambientação especial e tecnologia de ponta. O ambiente onde ficam os médicos foi planejado especialmente para agilizar a elaboração dos laudos. Uma luz azul tênue é especial para que as imagens possam ser bem visualizadas nos monitores de alta definição. Há também um aparelho de reconhecimento de voz para que os médicos não precisem digitar, eles gravam o laudo e um programa reconhece como texto no computador – outra forma de adiantar o processo. Para Armin Spirgatis, superintendente de TI e Operações, o fluxo de trabalho é aprimorado porque o médico não precisa parar para digitar e concluir o resultado.

Outro destaque do serviço refere-se ao modo de armazenamento de dados: todos os exames e laudos ficam arquivados, ou seja, existe uma ficha digital de cada paciente. “O cadastro é feito somente uma vez e todos os equipamentos acessam as informações. Não há dupla ou tripla digitação como acontecia no passado. Como não há mais processo manual, todo o processo é mais seguro. Sem contar que os médicos podem acessar o histórico de cada um dos pacientes”, aponta Spirgatis.